Joaquim Levy e as bilionárias desonerações da MP 656/2014


 

Opinião - 30/12/2014 - 06:52:11

 

Joaquim Levy e as bilionárias desonerações da MP 656/2014

 

Sales Sousa .

Foto(s): Divulgação / Arquivo

 

Joaquim Levy (esq.) com Guido Mantega (4.dez.2014)

Joaquim Levy (esq.) com Guido Mantega (4.dez.2014)


Joaquim Levy, futuro ministro da Fazenda, fez duras críticas à atual política econômica conduzida pela presidente Dilma Rousseff, em recente entrevista publicada na internet.

Chama a atenção na entrevista de Levy o paralelo que faz entre a situação atual do Brasil e o estado da economia dos EUA em 2008, quando eclodiu uma forte crise mundial.

Segundo ele, a crise financeira-bancária que eclodiu nos EUA, em 2008, foi decorrência da decisão do “governo Bush de sustentação do crescimento baseada em desonerações tributárias e expansão do crédito garantida pelo Tesouro americano”. E também porque George W. Bush “fechou os olhos ao aumento de alavancagem geral para manter o desemprego baixo”. Conclui Levy: “O coquetel se completava com o corte de impostos para agradar parcelas chaves do eleitorado e algum protecionismo”.

Guardadas algumas proporções, os erros de George W. Bush foram em grande parte repetidos no Brasil nos últimos anos pela política econômica adotada por Dilma Rousseff.

O mais recente fato, que comprova a repetição desses erros, é a aprovação da Medida Provisória 656/2014, uma 'colcha de retalhos' tributária, que prevê, dentre outras coisas: um novo modelo de tributação para o setor de bebidas; a renegociação das dívidas dos clubes de futebol (aproximadamente R$ 3,7 bilhões), sem qualquer contrapartida de melhoria de gestão e de transparência: novos procedimentos burocráticos em favor de cartórios, como a exigência de mais uma certidão para a lavratura do contrato de compra e venda de imóveis; mudanças no setor elétrico; desoneração da folha de pagamentos para diversos setores, como audiovisual, balas e chocolates, café solúvel, serraria e madeira e material gráfico - uma renúncia de cerca de R$ 4,5 bilhões.

Para nós, resta esperar para ver se prevalecerá o bom senso do futuro ministro ou os interesses econômicos e políticos.

* Sales Sousa - Jusbrasil - São Gonçalo (RJ)  

 



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